Dívida




Houve um tempo

em que o teu olhar

Me fazia perder o controlo.

Um gesto teu… eu morria por um gesto teu,

Por uma parcela do teu mundo.

Hoje, olho-te e lembro

As lágrimas que caíram pelo meu rosto

Ao longo de um tempo sem fim

E que as que não enxugaste com os teus lábios

Enxugou-mas o vento frio da procura,

no vazio.

Sim, houve um tempo, por muito tempo

Em que eu perdi o controlo, voei

Sem me importar para onde ia

Segui-te pelo caminho do medo e morte

Esperando sobreviver, a teu lado

Tudo o que importava era ter-te,

ser-te,

amar-te.

Não, não me olhes assim agora, não repitas

Nem ouses fazê-lo, é tarde,

Tão tarde que ceguei os sonhos.

Hoje sei que apenas vivemos

Uma fracção de segundo da uma eternidade

Que nem chegou a pertencer-nos

Sim, é verdade, ainda estou aqui

Mas não é por ti

É por mim, é pelo tempo, pela vida

Que ainda me deve uma estrela…



4 comentários:

Lyra disse...

"Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos. Enquanto o amor passa, a amizade volta, mesmo depois de ter adormecido um certo tempo."

Já tinha saudades.
Beijinhos e até breve!

Lyra ;)

Paulo V. Pereira disse...

O amor e a idade...
Sim, ... a intensidade que arrefece...

Muito pertinente este teu poema.

Bjs

quanto pesa o vento? disse...

querida amiga,
como sempre... di-vi-nal!
sem palavras grandes para te dizer o quanto grande é este texto.
assim fiquei... sem palavras.
saudades.
abraço-te daqui.

joão marinheiro disse...

deixo um abraço deste lado do mar

 
©2009 Amêndoa Amarga | by TNB