Recusa

.
.

.
.
.

Recuso-me procurar-te no vazio
que não me abre as mãos
nem me beija as feridas
que as minhas unhas teceram
na fúria da tua ausência

Recuso-me desejar-te
na frivolidade dos passos
que não reconheço
e que não me devolvem
o gosto acre do sangue
que de ti guardo no meu silêncio
ou o cheiro que se colou na pele e na carne
em que louco te saciaste

Meu amor, se eu não soubesse
que me perdi no teu mundo
Na hora em que apagaste todas as luzes
Talvez ainda hoje me alimentasse
dos dias e das noites vestidos de fogo e calor
centelhas incertas de luz
isentas de amor

Recuso-me procurar-te no vazio de nós
.
.
.

"Vou à varanda e espreito o Natal"






Que importa que não tenha varanda se tenho os teus olhos que vêm por mim?



Silêncio (por favor)

Quero ouvir o som do amor




Não, não desse amor que grita e vibra e sonha e sofre. Daquele outro que de tão nosso, no oposto dos dias esquecemos de recordar que existe… mas que sabemos ser espírito e ar, motor e essência de nós enquanto gente e ser. Onde vivemos o sempre. Sem querer e sem pensar, sem perguntar ou duvidar. Quero ouvir o amor que já não chora. Que não se revolta. O que já não dói do tanto que nos pertence. Do que em nós se fundiu, entranhou, dissolveu, como sangue e carne e cheiro e pão. O que sobra no limiar da morte, quando já não se mente. Quando já não se finge nem se nasce. Apenas se é, no som.


Silêncio (peço por favor)

Preciso desesperadamente ouvir o som do amor

Quero saber-me viva



Tu sabes (mas...)

 
©2009 Amêndoa Amarga | by TNB