(Porquê ?)


Não sei. Não me perguntes como nem porquê. Não saberei dizer-te sequer o quando. Talvez tenha sido no momento em que desenhaste no meu rosto o primeiro sorriso. Ou até quando apagaste a luz sombria e vazia dos meus olhos, sem reparares sequer que existia. Falaste-me de ti e com isso atingiste um pouco do meu sempre. Curioso que o fizeste com coragem. E a ousadia tem o seu preço: Tu deste-te e ganhaste-me sem querer. Ou talvez não tenha sido assim, talvez algo tão simples não seja uma razão. Já não sou de grandes perguntas nem espero grandes respostas. A vida é curta demais para esperar que faça sentido e há muito tempo desisti de arrancar pela raiz o que me preenche. E tu fazes isso, mesmo quando não estás. Não sei se é bom ou mau, para mim é vital. Aceito-o. Já tu podes fazê-lo ou não. Não está na minha mão ter-te a meu lado. Quero que fiques, que os medos não ganhem os dias eternos e imperfeitos do dar e do ser. Que nenhum pedaço de nós se perca numa curva cheia de afetos mas deserta de gestos. Que te rendas como eu me rendi. Que não te preocupes em entender, que aprendas que viver ultrapassa qualquer sonho. Que troques de pele, que mudes de cor, que vivas em contramão, mas que não digas não quando os teus 5 sentidos me querem. Não aceito ser somente memória mas gota de sangue e sim, aceito o lugar de espinho cravado no teu coração. Mesmo agora, que ainda não me confessaste que o tens. Porquê? Talvez seja apenas porque me apetece…






3 comentários:

Paulo V. Pereira disse...

O tema da minha vida aos 20...

Creep...

Beijos mil

quanto pesa o vento? disse...

aplausos a ti!
adorei o teu texto.
abraço.

jorge vicente disse...

e porque me apetece ler-te.

magnífico texto. emotivo. intenso.

abraços

 
©2009 Amêndoa Amarga | by TNB