Retalhos

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Inventa-se no amor as mãos

que se fazem mãos e se tocam

e nas palavras os sorrisos

que disfarçam o peso da ira

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Inventa-se perdão para a incoerência

e mascaras para o egocentrismo

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Inventa-se

que o baralho não é viciado

e que cada carta tem um valor

mesmo num jogo sem regras ou instruções

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Numa estranha loucura

finge-se acreditar

no tanto que (não) se constrói

pelo vento que sopra sem alma

e inventa-se uma vez mais

formas e cores (felizes)

que magicamente seguram o tempo

num pouco mais de prazer

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Inventam-se as horas e as despedidas

que a pouco e pouco se fazem reais

pelo retalhar do verbo ser

que transforma o sentir

numa imperfeita colcha de retalhos

que nem o corpo protege …

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7 comentários:

joão marinheiro disse...

Eu acho que somos um invento...

Sobram as mãos para nos despertar os sentidos e o olhar para nos demonstrar a saudade...

O resto são ilusões de óptica, ou fugazes raios de luz a incidir...

Há quem lhes chame máscaras ou retalhos ou momentos.

Eu acho que somos um invento…

Rach disse...

e de invenção em invenção se descobrem as coisas indispensáveis. desbrava-se o inútil, grita-se por cima de quem diz que não pode ser, e consegue-se.
talvez um dia destes se invente um ser humano sem máscaras, sem vícios, sem ira ou demência. só não sei se esse dia não será o fim de todos nós.

muito muito bonito, e tão verdadeiro!

AC disse...

E é no inventar de tudo isso que, possivelmente, nos inventamos a nós mesmos.

Paulo Vasco disse...

Lindo, Sónia!

Eme TheOld disse...

:)))

surpreendida.

eu, claro. Com este retalho d'alma.

beijo

Tomaruco disse...

Já que somos no mal participantes
sejamo-lo no bem, ah! quem me dera
que fossemos em tudo semelhantes!

Lá virá então a fresca Primavera,
tu tornarás a ser quem eras dantes
eu não sei se serei quem dantes era!

Luís Vaz de Camões

Anónimo disse...

Olá minha querida,

estive muito tempo afastada da blogosfera, agora sinto que é tempo de regressar, de dar mais atenção a pessoas que durante um tempo difícil da minha vida conseguiram fazer dela um momento suportável.

E como não poderia deixar de ser, não menosprezando nenhum outro, este teria de ser o meu primeiro refúgio.


Identifico-me muito com este teu post... pois grande parte da minha vida foi feita de máscaras, de sorrisos a disfarçar lágrimas, de coragem a encobrir medo.

Vou voltando aos poucos, prometo... e desta vez não é uma promessa vã. Eu vou cumprir.
ADORO-TE,

Jana

 
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