Vôo

.
.


.
.

Olá meu amor

Não sei se algum dia te escrevi uma carta, hoje apetece-me fazê-lo. Não me perguntes porquê, talvez precise de algo que nunca tive ou apenas tente atraiçoar com suavidade a saudade dos teus lábios… é que hoje apertou-se-me o peito, confundido de saudade. Talvez tenha sido o nevoeiro sob a ponte que me trouxe a melancolia, o cheiro da tua pele e o som do teu riso. Consumo-me nas memórias de coisas tão simples como te chamar meu amor como fazia nos dias em que éramos felizes e percorríamos labirintos loucos ansiando pelos becos sem saída onde nos escondíamos do mundo e nos beijávamos como se não houvesse amanhã… (e não houve!) Nunca te amargura que o amanhã tenha morrido? (Por vezes dou por mim assim, a tentar adivinhar se ainda me sentes).

Passeei hoje pelo recanto do rio onde me disseste pela primeira vez que me amavas, as lágrimas caíram pelo meu rosto e desta vez não estavas para as beber. O vazio fez-me gritar o teu nome na ilusão que ouvirias… rio-me agora, um riso quase louco. Nunca mais ouvirás, pois não? O eco faz voar o grito mas as memórias ficaram para sempre pregadas num infinito só meu. Aquele de onde me fizeste acreditar ser estrela e onde me deixaste apagar, na solidão…


Lembras-te da última vez que falamos, do que me pediste? O impossível. Como poderia falar-te de amor sem te falar de mágoa? Existe amor assim? Não conheço, nunca conheci. Se o sabias porque não mo ensinaste? Tivemos tanto tempo gasto, um infinito que não agarrámos e até uma velha ponte que abandonamos ao tempo e ás intempéries…. Lembras-te do brilho das luzes da cidade que confundíamos com estrelas? Ali quase fomos o que poderíamos ter sido, quase fomos certeza e ainda assim não me ensinaste … a verdade que hoje me veste não vem raiada de luz nem é suave, morde-me a alma quase tanto quanto a saudade que fica e as perguntas morrem sem nascer. O refúgio é a sensatez do faz de conta que não é nada, abraço seguro em dias inquietos e as palavras, os verbos que narro na ânsia que nem tudo se perca. Nelas tudo te faço, te dou e te digo e nunca precisarei fingir. É aqui que te encontro, sem impossíveis. Onde ainda sou feliz, voando em ti. Beijo suave.
.
.

11 comentários:

Isa disse...

Força, coragem.
Eu acredito que o amor existe.

tulipa disse...

Venho agradecer as suas lindas e simpáticas palavras no meu cantinho.
Não é usual receber assim elogios, fiquei toda babada e feliz com os seus dizeres.

Passo a citar:
"A Internet tem destas coisas, vagueamos dias a fio apenas por vaguear e de repente algo nos toca profundamente. Foi o que me aconteceu aqui...Não li muito, 3 ou 4 postagens, que foram suficientes para sair daqui realmente maravilhada: Deves ser um ser humano muito bonito(e olha que eu não sou de paleio barato)
Parabéns pela forma tão clara que expões e trespassas emoções."

MARAVILHOSO.

MUITO OBRIGADO.

tulipa disse...

Bela carta de amor.

É sempre bom saber que existe alguém feliz, quando eu não o sou. Arrisco mesmo a dizer que nunca fui amada.

Parabéns por ser feliz.

Beijos

pin gente disse...

há cartas de amor belas, tão belas que deviam ser dobradas, colocadsa num envelope selado e enviadas...

muito linda!

beijo mais que suave

Pinipom disse...

ola crys=D

eu ainda acredito que "o amor" a tenha lido...

e acredito mais ainda que essa carta também poderia ter sido escrita por mim...mas nao enviada...

força linda! quero-te bem =D

eu AMo-te pode ser qu eisos anime a tua linda alma=D

Beijo suave e solto!

Neia

M. disse...

Cartas.. ai cartas.. a eterna perdição do verbo nas cartas. e esta é tão bela mesmo que gritando algo que se parece com saudade. a despeito de outras estradas e outras estrelas a oferecer-te a lua, basta-te tomar o passo e rumares numa direcção, para te deparares sempre com o teu rio.

Laura disse...

lindo...

Miguel Barroso disse...

Escreve-se bem aqui.


Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

Pecadormeconfesso disse...

Porque é que todas as cartas de amor são iguais?

Anónimo disse...

Nenhum género epistolar é menos difícil do que uma carta de amor: apenas é preciso amor (Radiguet , Raymond)

Indigente disse...

Simplesmente fantástico!

 
©2009 Amêndoa Amarga | by TNB