Flor de Lua

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E depois do adeus, choraste as rosas
sonhaste em campo aberto girassóis
nele encontraste a noite do deserto
a amarga amêndoa da razão
e a solidão
Lembraste então do amor
e do homem.
Ousaste em desalento
ofertar o ser
e o querer
foi quando esqueceste não prometer
foi quando prometeste não esquecer

(mas tudo é vazio, solidão, campo aberto)

E depois do adeus segui em frente
o luar ausente ainda e sempre em flor
desminto (me) o mel e o céu presente
nego (te) a alma transparente
tudo o que fui e deixei de ser

O riso, a voz e o corpo, ainda a tremer
leva-os o vento,
a passar, a correr
aqui não há solidão, campo aberto
há muito bebi o deserto
há tanto deixei de ser

E depois do amor morreram as rosas
estamos cá dentro, sós
porque a flor só tem uma vida
Porque o tempo não volta para nós.





14 comentários:

Anónimo disse...

A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor (Hugo , Victor)

Anónimo disse...

Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado( Camus , Albert)

Anónimo disse...

O amor, que vem procurado como sensação necessária à felicidade da vida, perde dois terços da sua embriagante doçura; porém, o amor inesperado, impetuoso e fulminante, esse é um abrir-se o céu a verter no peito do homem todas as delícias puras que não correm perigos de empestarem-se em contacto com as da terra (Castelo Branco , Camilo )

Anónimo disse...

A vida é uma amêndoa amarga envolta em sete papéis dourados (Hebbel , Christian)

Anónimo disse...

As lágrimas são o supremo sorriso (Stendhal)

Anónimo disse...

O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter ("Livro do Desassossego" Pessoa , Fernando )

Anónimo disse...

"As minhas mãos cantam para ti

Horizonte que abraça o meu ínfimo,
Luminosa presença que corre
Jasmim em cristalinas gotas
Desaguando no perfume do teu esplendor.
Abre-se um sorriso…
Como uma rosa a florir
Entre gestos partilhados
No jardim da tua morada.
Felicidade que bate no meu peito,
Graça que enche o meu desejo…
Noites mágicas que acolhem
A saliva de lume vivo,
Nos beijos que trocamos.
Embalo em teu dorso
Itinerário de cetim onde deslizamos
Entre sonhos… e sonhos…
Parto… Vou mais além…
Batendo as asas como uma ave
Sorrindo mais… e mais…
Nos alegres despertares, a teu lado.
Baptizei-te de amor…
Nas palavras, nos versos, nos poemas,
As minhas mãos cantam para ti
Ouvindo a musica da nossa paixão
Em baladas deste sentimento eterno."
(Luis F.)

Lúcia Machado disse...

...Depois de ler todos os comentários acima...

Pouco mais tenho a acrescentar :)
Adorei o poema, com um toque de nostalgia, tristeza e suavidade...

Gostei imenso
Parabéns!

Anónimo disse...

Para o Dia da Mulher:

"Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão..."

(Miguel Torga, in 'Diário VII')

Laura disse...

Gostei... muito!

sagher disse...

como a tristeza nos faz sentir ...
assum os oiemas se sltam, como a sorrir de nós

Cruztáceo disse...

tinha-te perdido! que é feito...deixaste de comentar no apontamentes? verdade que nada de novo se passa.

beijitus

Janine Bettencourt disse...

Tomara eu que o tempo voltasse a mim para lhe fazer umas alterações. Mudava todas as palavras dúbias que usei: os "talvez" quando queria dizer "sim", os "quem sabe" quando queria dizer "agora", os "pode ser" quando queria dizer "claro"... Entre tantos outros monossilabos que arrajamos para nos livrarmos de repercussões, desilusões... na melhor das hipóteses teria sido mais confiante, mais certeira nas minhas apostas, teria tido mais alegrias...
Mas, como dizes e bem, o tempo não volta para nós, foge-nos com a vivacidade do vento.
Da tua sempre,
Jana

Anónimo disse...

Oh! Menina Doçura,
Onde está a tua inspiração.
Toca a mexer essa alma, puxar pelo coração e pôr as vistas no Mar..., vê o teu Sol!
Bjus

 
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