Não!




Não venhas, não agora
aguarda que chegue o tempo da lucidez
afinal
de que nos serve a chuva?

Basta-te no leito de pétalas
porque não te posso roubar a solidão
(entende)
não tenho como te acompanhar
no dourado do verão,
no silêncio dos moinhos,
ou nos afectos deste jogo de contrastes.

Então sente-me apenas no espaço das palavras
proferidas
a cada palmo de alcatrão derrotado,
na suavidade do vermelho rubro
do anoitecer…

Sente-me
mas não venhas…

Este tempo não é nosso.

15 comentários:

* hemisfério norte disse...

Parabéns também.
:)
beijos da outra ponta do distrito
:)
ana

mario Rodrigues disse...

Não percebi muito bem, amiguinha. Estás a dizer k nao eskeçes.
Que nao keres k ele eskeça.
Mas k nao o keres? Será isto?

Será k me podes explicar?

Obrigado pelas palavrinhas e pela visita, la no meu cantinho.

Uma linda semana

Bjinho amigo

Mario Rodrigues

João C. Santos disse...

a maior dificuldade está em sentir....

violeta disse...

Semear pra poder colher
.

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Belo poema.Aqui fiquei a degustar bem calmamente cada palavra, e adoreiiiii.
Fiz postagem nova,apareça por lá.Um grande abraço
marthacorreaolnine.blogspot.com

instantes e momentos disse...

Lindo texto, foi muito bom voltar aqui. Me inspira.
Tenha um ótimo final de semana.
Maurizio

M. disse...

Quando a chuva lavar os prantos e os nevoeiros abaterem os dourados do Verão poderá ir, porque a luz será outra e o alcatrão derrotado medirá apenas dois palmos e meio. Começa a verdadeira revelação do Verbo. Começa-se a ir beber ao mais profundo dele. Sente-se mais do que sentir, e tanto que já nem é preciso ir.

Pinipom disse...

Amei! fez-me tanto sentir-me! tens algo que me preenche, algo k se identifica comigo, essas palavras lindas!

beijo e obrigada pelo comentario!

hei-de voltar!

e Parabens!

pin gente disse...

o que me pedes é tortura
é agora que te quero
agora é que te espero
entrei já na fase de loucura


um abraço

su disse...

O distanciamento por vezes é algo necessário...definem-se com mais clareza certas questões entre as pessoas...e nas suas relações e modos de sentir...Lindo!

Crystal disse...

Olá Ana, os parabéns foram dados em teu nome ; )
Bjinhos


Oh Mário, fazes perguntas difíceis, rsrs. Olha, Realmente tem razão quem diz que as palavras não são inocentes, mas também é verdade que cada um as lê conforme as sente…de qualquer forma talvez tenhas aí uma parcela de razão ; )

Beijo grande para ti


João, discordo. A maior dificuldade está em compreender o que se sente…


Violeta, sempre! Bj amoroso


Martha, obrigada uma vez mais. Mas quem se delicia verdadeiramente com as palavras sou eu, quando leio as tuas fantásticas biografias. Beijinho

Crystal disse...

Maurizio, a porta está sempre aberta…Bj


m. Vou ficar à espera desses dois palmos e meio…Goto de ti miúda 

Pinipon, que bom quando assim é. A tua presença é muito bem vinda aqui, sempre. Bj.


Pin gente, sabes o gosto que me dás?

Su, eu diria mesmo que o distanciamento é essencial…dos outros e de nós mesmos.
Xi-coração em ti

Crystal disse...

Uma das maiores recompensas que se pode ter ao escrever o que nos vai na alma, aquilo que imaginamos, sonhamos, desejamos ou inventamos é ter retorno de quem nos lê. E o retorno tem vindo das mais bonitas formas. Hoje recebi um comentário a este texto que escrevi, um comentário que me chegou via email e que quem escreveu achou que não merecia figurar neste espaço, por serem palavras descartáveis … eu não acho e é com um pouco de vaidade que aqui publico o que ele achou não valer a pena ser lido por ninguém…



“não seguirei
os caminhos da chuva
não agora,
não sei se alguma vez.
Para mim, o tempo
sempre foi de lucidez.
e tu habitas-me a névoa
da loucura.

Não te seguirei agora,
ficarei a contemplar-te, apenas.
não quero perturbar
os prados verdes no teu olhar de corsa.
nem o espelho de água
onde bebes,ao crepúsculo.
Ficarei de guarda
ao rio
que nos passa ao meio.
Vês-me na margem? nada temas,
Sou um inventor de pontes...
impossíveis.

Eu sei que gastamos
o olhar
nestes olhos de água,
que se afastam
levando para longe,
esta certeza
que temos, mas não queremos
de que ali na encosta,
onde o rio nasce,
houvesse a loucura
e a coragem,
um passo bastaria
pra mudar de margem.”

Obrigada Carlos, adorei. Principalmente porque tu foste um dos impulsionadores para este meu tipo de escrita. A tua resposta prova que vale a pena o meu esforço. Beijo grande para ti.

Janine Bettencourt disse...

Descartáveis as palavras são... nisso concordo com o autor deste comentário mas elas deixam sempre uma mensagem que marca aquele que as recebe.
A mim, mesmo não me sendo dirigido, tocou-me. Pela simplicidade que deveria primar nas atitudes destes humildes servos que somos; e ainda, acho que especialmente, pela negação!
Partilho com o Carlos esse medo oculto pelo limiar da loucura que aquilo que nos provoca nos leva a temer.
Contudo, a impossibilidade amedronta-me e não posso acreditar que alguém com a coragem de inventar "pontes impossíveis" tenha palavras laváveis. Há tinta que nem a chuva apaga, há papel que sobrevive ao passar dos anos! É nisso que acredito...
Confio nos afectos e nos afagos...
Confio nas palavras e enquanto viver acreditarei também na poesia! E as tuas palavras, Carlos, garanto, pelo menos em mim, permanecerão enquanto a consciência não me faltar.

Desculpa Crystal invadir-te o teu espaço desta maneira mas não podia deixar que estas palavras ficassem ao acaso, ainda bem que nos deste a conhecer aquilo que o "impulsionador" da tua escrita te diz e acha que não merece lugar aqui.

Bem-hajas Carlos por escreveres com a alma! Não restam muitos assim...

Beijo para os dois,
Jana

Carlos disse...

Olá Crystal,
tinha que vir agradecer as tuas palavras. E dizer-te que a tua escrita nasce de ti, e és tu que lhe dás a forma. Eu apenas passei, meti conversa, e isso serviu para desenvolvermos a agudeza do nosso olhar sobre as coisas. Não fiz mais do que isso.
dá uma palavra minha à Janine. Ela foi gentil comigo.E pelo que li tem uma forma de sentir semelhante. Um beijinho para ela.
e um beijinho para ti.

 
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